VentK

Assincronias em Ventilação Mecânica

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Desenvolvido por Dr. Kaio Coelho · CRM/RN 14819
VC protetor 4–6 mL/kg peso predito
Platô ≤30 cmH₂O
Driving <15 cmH₂O
DisparoTriggersensibilidade / autoPEEP
FluxoFlowdemanda inspiratória
CiclagemTiprecoce ou tardia
Pico altoAvaliar Rvaresistência
Platô altoAvaliar Cstcomplacência
Página inicial Algoritmo Gráficos Calculadoras Contato/WhatsAPP
Ferramenta educacional de apoio ao raciocínio clínico. A interpretação das curvas deve ser correlacionada com exame clínico, gasometria, modalidade ventilatória, hemodinâmica, sedação, drive respiratório e protocolo institucional.

1. Segurança inicial e metas protetoras

Volume corrente4–6mL/kg peso predito
PEEPAdeq.oxigenação + hemodinâmica
Pplatô≤30cmH₂O
Driving<15cmH₂O
VMFR×VCavaliar pH/PaCO₂

Antes de atribuir desconforto apenas à sedação, revisar mecânica, assincronia, dor, acidose, hipoxemia, febre, obstrução, autoPEEP e ajuste da modalidade ventilatória.

2. Algoritmo — pressão de pico elevada

Ppico elevada?
Confirmar curva, modalidade, alarme e estabilidade clínica.
Realizar pausa inspiratória
Medir pressão de platô com paciente sem esforço ativo importante.

Pplatô normal

Interpretação: aumento de resistência das vias aéreas.

  • Broncoespasmo
  • Secreção / rolha
  • TOT dobrado, mordido ou obstruído
  • Água no circuito
  • Fluxo insuficiente com alto drive
Conduta: aspirar, revisar circuito/TOT, broncodilatador, ajustar fluxo e tempo expiratório, pesquisar autoPEEP.

Pplatô elevada

Interpretação: redução de complacência ou excesso de volume/pressão.

  • SDRA / edema pulmonar
  • Pneumotórax
  • Atelectasia
  • Intubação seletiva
  • Distensão abdominal
  • AutoPEEP importante
Conduta: reduzir VC, otimizar PEEP, avaliar RX/USG, checar posição do TOT, tratar causa e manter estratégia protetora.

3. Classificação prática das assincronias

DisparoTriggerineficaz, auto-disparo, duplo disparo
FluxoFlowinsuficiente ou excessivo
CiclagemTiprecoce ou tardia
AutoPEEP Broncoespasmo Drive elevado Sensibilidade inadequada Tempo inspiratório inadequado Fluxo inadequado

4. Gráficos esquemáticos das assincronias

Disparo ineficaz

tempo pressão/fluxo esforço sem disparo

Esforço do paciente sem ciclo entregue. Procurar deflexão negativa de pressão ou alteração do fluxo expiratório sem disparo.

Duplo disparo

tempo pressão/fluxo 2 ciclos agrupados

Dois ciclos consecutivos por esforço neural persistente. Comum quando o tempo inspiratório mecânico termina cedo.

Auto-disparo

tempo pressão/fluxo ciclos sem esforço

Ciclos sem esforço real do paciente. Pensar em sensibilidade excessiva, vazamento, água no circuito ou oscilação cardíaca.

Fluxo insuficiente

tempo pressão/fluxo pressão “escavada”

Curva de pressão escavada/concavidade inspiratória. O paciente demanda mais fluxo do que o ventilador entrega.

Fluxo excessivo

tempo pressão/fluxo picos abruptos

Pico de fluxo alto com entrega abrupta. Pode causar desconforto, pico pressórico e ciclagem inadequada.

Ciclagem precoce

tempo pressão/fluxo esforço continua após o ciclo

O ventilador encerra a inspiração antes do fim do esforço neural. Pode gerar duplo disparo.

Ciclagem tardia

tempo pressão/fluxo inspiração prolongada

O ventilador mantém a inspiração após o fim do esforço do paciente. Pode haver expiração ativa contra o ventilador.

5. Simples interpretação de mecânica ventilatória

Volume minutoL/min
ComplacênciamL/cmH₂O
ResistênciacmH₂O/L/s
DrivingcmH₂O
Interpretaçãoresumo

6. Condutas rápidas por padrão de curva

AchadoInterpretação provávelAjuste inicial
Deflexão sem cicloDisparo ineficaz, autoPEEP, sensibilidade baixa, fraquezaAumentar sensibilidade, reduzir autoPEEP, ajustar PEEP externa, tratar obstrução
Dois ciclos consecutivosDuplo disparo, Ti curto, drive elevadoAumentar Ti quando apropriado, ajustar PSV, tratar dor, acidose, hipoxemia ou ansiedade
Ciclo sem esforçoAuto-disparoReduzir sensibilidade, corrigir vazamento, drenar circuito
Pressão escavadaFluxo inspiratório insuficienteAumentar fluxo, ajustar rise time ou suporte pressórico
Expiração ativa antes do fim do cicloCiclagem tardiaReduzir Ti ou aumentar critério de ciclagem expiratória
Esforço continua após fim do cicloCiclagem precoceAumentar Ti ou reduzir critério de ciclagem expiratória
GUIA DE ASSINCRONIAS E SUGESTÕES DE CONDUTAS

Identificação rápida de assincronias

Selecione o padrão observado nas curvas para visualizar o achado, a interpretação e a sugestão de ajuste inicial.

Curvas → padrão → conduta
1Identificar curva
no ventilador
2Confirmar modo
ventilatório
3Analisar fluxo
padrão da curva
4Analisar pressão
curva × tempo
5Procurar espículas
deformações
Referência de fórmulas: mecânica respiratória e adaptação paciente–ventilador
Complacência estáticaVC ÷ (Pplat − PEEP)Se reduzida, reavaliar estratégia protetora, PEEP e volume corrente conforme o contexto clínico.
Resistência das vias aéreas(Ppico − Pplat) ÷ fluxoSe aumentada, procurar obstrução, broncoespasmo, secreções e alterações do circuito.
Driving pressurePplat − PEEPReavaliar a estratégia quando elevada; alvo frequentemente utilizado: < 15 cmH₂O, individualizando o caso.
SedoanalgesiaAvaliar dor, agitação e sedaçãoUtilizar escalas clínicas e corrigir causas reversíveis de desconforto.
Bloqueio neuromuscularUso seletivoConsiderar em cenários específicos após otimização ventilatória e sedoanalgesia.
CapnografiaAvaliar padrão e alteraçõesCorrelacionar com obstrução, broncoespasmo, vazamentos e esforço ineficaz.
As sugestões são pontos de partida para avaliação à beira-leito. Confirme o modo ventilatório, a mecânica respiratória, a causa da assincronia e a resposta após qualquer ajuste.